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Hino ao Daímon Pessoal

 


Pros ton Idion Daimona


O que é o Daímon Pessoal

Antes de qualquer coisa, vos digo que é importante saber a quem você está falando. 

No Corpus Hermeticum XVI encontramos muitos textos, e digo, para quem sabe ler estes conteúdos, formulas que ensina que no momento exato do seu nascimento, daímones alinhados sob as estrelas tomaram posse de você ao entrar em vida. Eles reformam a alma a seus próprios fins, mas há uma parte racional em você que permanece indomável por eles, capaz de receber a grande luz divina diretamente.

Jâmblico desenvolve mais: o daímon próprio (idios daimon) é impartido pelo "senhor da genitora", a configuração astral do nosso nascimento. Ele é duas coisas, guaridão e espelho do Ser: quem aprende seu daímon e o conhece, nos diz Jâmblico, "liberta-se do destino".

Os PGM têm um ritual específico intitulado "Encontro com o próprio daímon", e ele começa exatamente com uma saudação à Tyche (a Fortuna), ao daímon do lugar, à hora presente e ao Universo inteiro. Você se apresenta ao daímon.

E por fim, na Grécia clássica, o Agathodaimon era representado (iconografia) como um homem idoso com cetro na mão direita e um chifre da abundância na mão esquerda, ou como uma serpente de cabeça humana, figura de sabedoria enrolada ao redor da vida. Claro que nós não devemos nos restringir a essa configuração, deste modo, recomendo não limitar a expressão de teus daimon. 

Ao fim, com os textos já lidos por mim, criei uma adaptação pratica do tratado evocatório e apresentação. 


Que a Luz dos Deuses sejam a tua Graça!


Hino

(Para recitar em voz alta, de preferência de noite, com incenso de mirra ou estoraque aceso. Vire-se para o leste ou para a estrela mais brilhante que estiver visível no céu naquele momento.)


Primeiro passo: Saudação ao Cosmos

Salve, Tyche, boa Fortuna que caminha ao meu lado. Salve, Daímon deste lugar onde estou. Salve, hora presente — e cada hora que ainda virá. Salve, Universo, terra e céu ao mesmo tempo. Salve, Hélios, que te estabeleceste em luz invisível sobre o firmamento sagrado.

(Silêncio. Respire fundo três vezes.)


Convocação

Ó Daímon meu ,companheiro inominável, que desceste sobre mim no instante em que meu primeiro grito rasgou o ar do mundo , tu que recebes tua forma das estrelas que me presidiram, tu que és mais antigo do que minha memória e mais íntimo do que meu próprio nome!

Eu te chamo. Não para te ordenar, não para te lisonjear com palavras ocas, mas porque desejo te conhecer.

Tu és o bom Daímon, o Agathodaimon: com cetro na mão direita e cornucópia na esquerda, ou com forma de serpente dourada que se enrola em espiral ao redor da minha vida.

Tu que guardas minha saúde, tu que proteges minha forma, tu que presides sobre o que me faz ser quem sou, aparece para mim de forma propícia.


Reconhecimento

Eu sei que no instante em que vim à luz, os daímones arranjados sob as estrelas se apoderaram de mim e me moldaram. Eles se movem por rotação, hora a hora, e sua energia é a essência do destino.

Mas o Hermes escreveu: há uma parte em mim que não pode ser dominada por eles, a parte racional, receptáculo da luz divina.

Ó Daímon meu, eu me apresento nessa parte. Não no medo, não na ignorância, mas no reconhecimento claro do que sou: humano, nascido sob estrelas, e ainda assim portador de algo que as estrelas não ditam.


Pedido (tu podes adicionar o que for preciso  nesta imprecação)

Protege-me de todo destino astrológico adverso. Destrói em mim o fado podre. Distribui para mim coisas boas no meu horóscopo. Aumenta minha vida. Que eu desfrute de muitas coisas boas, pois eu sou teu e tu és meu, tecidos juntos desde o início.

Revela-me tua forma propícia. Fala comigo de noite e de dia, em cada hora do mês, a mim, [tu deves dizer teu nome], filho/filha de [tu deves dizer o nome de tua mãe, os antigos usavam a mãe para se identificar diante dos deuses].

Lava de mim os males do destino. Não me ocultes nada. Sê meu guia no que está escondido e meu escudo no que está revelado.


Louvor final

Ó Daímon, bom e alegre, que não poluis nenhum lugar por onde passas, que vens quando chamado com coração limpo, eu te hino com voz e silêncio.

Que tua forma auspiciosa me seja mostrada. Que tua presença seja sentida como clareza, como o instante antes de uma decisão certa, como o caminho que surge onde havia neblina.

Tu és o Rei dos meus próprios reis, o mais sagrado entre o que é sagrado em mim.

Vem a mim, bem disposto, alegre, sem falha.

AEEIOYŌ. 

AEEIOYŌ.

AEEIOYŌ.

(Silêncio longo.)


Ao fim... 

Eu agradeço, Daímon, por teu testemunho silencioso de tudo que vivi. Permanece comigo. Caminha ao meu lado como a serpente dourada ao redor da taça. Que esta saudação chegue a ti como incenso. Que minha vida seja digna da tua companhia.

Assim seja.

Maris Tertuliano

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