Khernips (χέρνιψ), literalmente "água para as mãos." Era o primeiro gesto de qualquer ato sagrado na Grécia antiga, antes de nos aproximarmos do altar, antes de pronunciarmos qualquer nome divino, antes de tocarmos qualquer objeto consagrado, as mãos eram lavadas. A necessidade era por fronteira. A lavagem marcava, obviamente, a passagem de um estado para outro, do cotidiano para o sagrado, por exemplo.
O procedimento mais conhecido na antiguidade envolvia apagar uma tocha acesa dentro da água. O fogo extinto liberava algo, fumaça, calor, a presença do elemento que ali fora transformado. E era então, água que havia recebido fogo, e portanto carregava os dois elementos ao mesmo tempo.
Os itens necessários são: um recipiente limpo que deve ser tigela de cerâmica, vidro ou metal. NUNCA plástico. Água fresca, de preferência não tratada com cloro: água de fonte, água de chuva coletada, ou água filtrada que descansou algumas horas em recipiente aberto. Sal marinho. Uma vela, palito de incenso ou louro (ou qualquer outra erva seca de uso próprio para o ritual ) que será a fonte de fogo que vai ser apagada dentro da água.
Após separar os itens acima, tu deves encher o recipiente com a água. Adicione uma pitada de sal, o sal é purificador por natureza. Com a vela, o palito ou o louro seco aceso, segure a chama sobre a água por um momento, depois mergulhe a ponta acesa dentro dela para apagá-la. Lembre-se que tu deves realizar isso com intenção. Intenção entende-se por proposito real.
Enquanto apaga o fogo, deves dizer o seguinte:
"Que esta água receba o fogo e se torne pura. Que tudo o que há de impuro em mim seja dissolvido. Que eu me aproxime limpo."
Devo dizer que não há uma fórmula canônica única para isso.
O que existe é o princípio: nomear o que está acontecendo é parte do que faz acontecer. Isto é o ato ritual consciente!
Como usar?
Molhe as mãos na água e as esfregue, os dois lados, os pulsos, entre os dedos. Se o trabalho for mais sério ou vier depois de um dia super pesado, você pode também tocar a água nos lábios, na testa e no peito. Sem rigidez no ato, ok? O que importa é que o gesto seja deliberado.
A água que sobra pode ser aspergida ao redor do espaço de trabalho antes de começar o teu rito. Isso está diretamente atestado no PGM e em vários procedimentos de consagração de espaço: a aspersão de água precede a defumação, e juntas elas constituem a limpeza básica do lugar ritual.
Algumas notinhas práticas
1- O recipiente de khernips não é o mesmo que o recipiente de oferenda de água que fica no altar. São funções diferentes: um é para lavar, o outro é para ofertar.
2- A água não precisa ser preparada com antecedência longa porque o ideal é que seja fresca.Uma água de khernips de dois dias não tem o mesmo peso que uma preparada agora.
3- Se você não tem acesso a uma vela ou palito no momento, o sal sozinho funciona como substituto mínimo. Obviamente não é a mesma coisa, mas mantém o princípio da transformação: você está adicionando à água um elemento que a altera, e nomeando isso como purificação.
4- O gesto de lavar as mãos é antigo o suficiente para ser quase instintivo. Khernips é isso com consciência ritual.
Maris Tertuliano.

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